Monday, January 08, 2007

Com o coração nas mãos

Minha Adorada,

Escrevo-te com o coração na boca. Ou nas mãos. Ou na ponta dos dedos. Cá dentro deste tórax vazio e insensível é que ele não é aproveitado. Não para o que deve...Para bombear sangue lá vai servindo. Mas de que me serve o sangue a correr se eu não tiver Alma que o aqueça?

Por isso, olha, ponho o coração naquilo que te escrevo, naquilo que sinto, na forma como vivo, tento viver, ou finjo que vivo. É para me sentir vivo, percebes? Se não fosse por isso mais me valia que me fechassem já numa vala escura e fria. Qual é a vantagem de se ver a luz do dia se não se tiver Amor? Vês alguma? Se vires diz-me, pois eu dedico-me demais ao Amor...

Mas deixemo-nos de mágoas, de pensamentos tristes, de lamentos, de fados. Se eu tenho o coração ao pé da boca – do lado de fora entenda-se – é por alguma razão. É para to entregar. Prometo que o embrulho direitinho. Posso até colocar-lhe um lacinho cor de rosa se te fizer feliz. Ou até dentro de uma caixinha que possa parecer uma caixinha de bombons. Para te aliviar do desconforto de andares com um coração nas mãos pela rua afora. O que haveriam de pensar de ti?

Provavelmente pensarás: para que raio quero eu um coração? Pois bem, este terá multi usos – como convém neste mundo de multi funções – e pode (deve) ser por ti usado a teu bel prazer. Como? Já te explico...se tiveres paciência...

Converter-se-á em gestos de carinho nos momentos em que te sentires carente. Dirá as palavras mais sentidas do Mundo e as que no Mundo mais te farão sentir. Fará com que olhes para a vida com outros olhos, as cores brilharão, a luz ganhará novas formas, o dia a dia parecer-te-á mágico. Será o complemento que precisas (deixa lá os complexos vitamínicos...é disto que precisas...) para sobreviveres.

Tem muito mais funções, mas caber-te-á a ti descobrir umas tantas, pois só tu saberás tirar partido dele. Tem, no entanto, algumas contra-indicações – conheces algo que não tenha? – e eu, como pessoa correcta que sou, previno-te desde já. Pode ser viciante. Pode levar-te a confundires sonhos com realidade e vice-versa. Pode te dar uma sensação de sobre-poder. Neste último caso há quem diga que não é só sensação...

Enfim, julgo que as benesses que te trará são incomparavelmente superiores às eventuais contra-indicações. E o preço a pagar? Ridículo! Irrisório. Insignificante!

Só lhe tens de dar carinho, alimentá-lo com Amor verdadeiro e, claro, não me contentarei com menos do que a tua Alma. Não te assustes...não sou um mafarrico qualquer que ande por aí a angariar Almas para as levar comigo. Simplesmente preciso da tua Alma para não me sentir tão desalmado.

Preciso da tua paixão, do teu fogo, do teu calor, do teu Amor para sobreviver. Só isso. Nada mais. Parece-te uma troca justa? Juro-te que o meu coração compensar-te-á e que, no final das contas, seremos um só.

5 comments:

ci said...

Como eu me identifico com as tua palavras...:):) beijinhos da ci

ci said...

" Silêncio"

O silêncio é a morte.
A morte de uma pessoa,
A morte de um espaço.
O silêncio pode-se vencer;
No silêncio pode-se lutar;
O silêncio pode-se combater.
O silêncio é solitário,
O silêncio é mudo,
O silêncio é triste.
Uma pessoa que vive no silêncio
Não pode viver feliz e contente,
Com auto confiança,
Como toda a gente.
O SILÊNCIO domina-nos....

O silêncio domina-me, a mim pessoa comum...por isso me retiro...até um dia destes...encontramo-nos por aí...

ci

Anonymous said...

She says, What do you call love
well I call it Harry
Oh, please I'm being serious
what do you call love
Well I don't call it family and I don't call it lust
and as we all know marriage isn't a must
And I suppose in the end, it's a matter of trust
if I had to I'd call love time...

Sábias palavras...

Aninhas said...

Julia serve??

Que raiva, o que eu gostava que essas cartas fossem para mim...

Romeu, muda de julieta...

:))

Kitty said...

Gostei muito do post! :-D
Beijocas