Friday, October 27, 2006

Condenação

Eurídice,

Decerto te perguntarás porque te escrevo. Qual é a motivação deste coração perdido? De onde vem esta obstinação, teimosia, persistência, loucura até?

Confesso que muitas vezes penso em desistir, em deixar que a realidade tome conta de mim, em aceitar aquilo que a vida me retirou. Mas há algo mais forte do que a distância, do que o tempo, do que a morte, do que a minha própria vontade. Há algo que me impele a escrever. A escrever para ti.

Não sei se lhe poderei chamar Amor, afinal nem sequer sei se sei o que é o Amor. Sei que é em ti que me completo, é em ti que encontro a Paz, é em ti que descubro a inspiração que faz de mim uma pessoa diferente, melhor.

Sem ti sou só uma pessoa banal, normal, corriqueira. Sem destino, sem caminho, perdido nesta desventura que é a vida.

Por isso me condenei a escrever-te. Por isso me condenei a dedicar-te parte da minha vida. Por isso vivo condenado pelos grilhões da tua ausência.

É que - sabes? – por mais dura que pareça esta condenação que eu próprio me impus, mais triste seria se estivesse totalmente liberto de ti. Ao menos desta forma estás comigo...

Orfeu

1 comment:

Areia e Espuma said...

Não sabes o que é o Amor?!