Friday, September 10, 2004

Tanto que eu tinha para te dizer...

Julieta,

Tinha tanto para te dizer. Tinha tanto para te mostrar. Mas não te vejo...Não sei onde estás...

Os meus olhos já se cansaram de te procurar. Os meus sentidos e a razão dizem-me para desistir, mas o meu coração...esse tonto...insiste em ficar à tua espera. Insiste em permanecer, tal qual cão fiel e obediente, a olhar para uma porta, pela qual eu sei perfeitamente que nunca entrarás. Mas o meu coração...esse acredita. Por vezes sorrio compadecidamente e tenho pena dele. Noutras ocasiões dou por mim a ter pena da razão e de todas as pessoas que se subjugam a ela e não conseguem olhar o que os olhos não vêem. Ou a ter pena de mim...

Mas o problema é que eu tenho cá dentro tanto para te dar. Em palavras, em gestos, em carinho, em manifestações de Amor. O que faço? Não posso abdicar de tudo o que sinto. Ou, pior ainda, não posso deitar tudo ao Mar ou entregar a outra que não seja a destinatária destas afeições. Mas se os retiver cá dentro, esses sentimentos estagnam, esmorecem, apodrecem.

Então escrevo-te. Escrevo-te como se soubesse que agora mesmo lerias estas linhas. Escrevo-te como se tivesse a certeza que sentirias tudo o que sinto. Escrevo-te como se as palavras se transformassem em Rosas, as frases em beijos e o texto numa forma que encontro de expressar o meu Amor.

Podes questionar se te Amo. Alguma vez deixei de te Amar? Eu sinto-te dentro de mim, como se vivesses ao meu lado. Sinto-te dentro de mim, como se te desse a mão enquanto me deito. Sinto-te dentro de mim como se fizesse parte da tua vida.

Só que às vezes a realidade surge como um pesadelo fantasmagórico que me mostra o Mundo sem ti. A realidade da tua ausência surge como a sombra que apaga a tua presença no meu coração. A realidade esforça-se por mostrar como o meu coração é ridículo por esperar por ti. Às vezes sinto-o triste e desanimado. Como se até ele começasse a perder as forças e a fé. Até que ele ouve passos, que na maior parte das vezes não são os teus, e sente de novo o pulsar, a esperança e a vida. E continua a esperar por ti...

2 comments:

Moi said...

Romeu, "o que faço? Não posso abdicar de tudo o que sinto. Ou, pior ainda, não posso deitar tudo ao Mar ou entregar a outra que não seja 'o destinatário' destas afeições."

Você também brilhava, destacando-se genuinamente dentre os demais. Confesso mais claramente agora que sentia o mesmo: vontade de estar só, com Romeu.

Anonymous said...

a outrO que não seja 'o destinatário' destas afeições