Tuesday, May 15, 2007

Palavras leva-as o vento...

Sabes... Sempre pensei que tinha sido a tua ausência a razão para eu te escrever mil e uma cartas de Amor. Que era a impossibilidade de te ver, ouvir, sentir, tocar que me fazia desfazer em palavras. Pensava eu que, dessa forma, talvez te pudesse alcançar. Não me deixaste qualquer outra alternativa...

Partiste um dia sem sequer me prevenir. Deixaste-me só sem, no entanto devolveres o Amor que eu te havia entregado. Desapareceste sem deixar qualquer rasto, ficando eu cativo do sonho que fui construindo sozinho.

Por isso triturei o meu coração em pedacinhos pequeninos, derreti os pedaços que deixaste da minha Alma, libertei os sentimentos que me atormentavam, só para construir palavras e palavras e edificar monumentos em tua homenagem. Pensava eu que isso, por si só, seria suficiente para manter um Amor vivo e forte.

Só que me havia esquecido de algo muito importante. Palavras... leva-as o vento. E, por mais belas e sentidas que tenham sido as cartas de Amor que te escrevi, de nada me valeram, pois o silêncio que recebi em troca fez delas meros pedaços de papel com gatafunhos à mistura. Tudo aquilo que senti esfumou-se por nunca ter atingido o seu destino.

Apercebo-me hoje que o Amor nunca pode ser unilateral. Bastava que me lesses, que me ouvisses, que deixasses que eu te olhasse de longe. Assim...não passas de uma miragem, que eu não vejo, que eu não ouço, que eu não leio e que, por não existires de verdade, eu não posso sentir.

Ao tomar consciência desta triste realidade em que me encontro (ainda que saiba que esta consciência será provisória), descubro em todas as minhas palavras um objectivo que antes me era desconhecido – talvez ainda esteja a sonhar... Desfiz-me em palavras? Desmanchei-me em letras intermináveis? Derreti todos os meus sentimentos na busca da frase perfeita? É claro que sim. Só que aquilo que eu procurava, minha querida, não eram afinal os teus olhos, racionais e sensatos, mas sim o cuidado de alguém que, paciente e carinhosamente, me lesse, coligisse, mimasse e aos poucos colasse o coração que tu partiste.

8 comments:

Peste said...

... não consigo resistir de cá vir ler...

beijos

Eu mesma said...

Olá poeta…
Depois do conselho deixado por ti, no meu espaço, não podia deixar de passar por aqui…
São doces e firmes as tuas palavras…
Aqui baixei as armas… tive um momento de paz e… solidão! Onde andam homens assim?
Agradeço-te o comentário e as palavras que vais escrevendo ao sabor da pena, e que partilhas com o mundo! Obrigada!
Voltarei mais vezes e lá no meu canto, todos saberão da tua existência!
Um abraço sentido… que beijinhos damos ao desbarato!

Anonymous said...

as tuas palavras confundem-se com com aquelas que carrego perdidas no meu EU, como se por arte mágica entrasses em mim e me as roubasses sem eu as te ter sequer que ditado ... até porque não saberia ... por isso hoje DOI-ME ao ler-te, doi e muito, ... doi porque sinto a tua DOR como se fosse minha ... doi porque não sei como alivia-la ... doi ... doi muito nada conseguir fazer ...
bjs
i.c.

Fofa said...

As cartas de amor que escreves... não as leva o vento.
Mesmo em silêncio, ainda que não o consigas ouvir, o vento sopra...

Bjo fofo

Just Me... said...

Bela carta...
Tudo na vida passa por nós, ou o inverso, mais interessante, somos nós que passamos por tudo na vida...
Mas as tuas cartas têm um gosto adocicado, mesmo na nostalgia dos momentos vividos, na ansiedade das "recordações que percorrem a lembrança"... Um beijinho Poeta...

Nanny said...

Agora entendes o comentário que te fiz em tempos e que tanto te magoou (ainda que sem intenção)?


Depois do amor fica a mágoa, e essa às vezes turva-nos a visão...

Vai poeta, segue vivendo que o tempo tudo atenua...

Beijo do coração

Catherine Darwin said...

Continuas a inspirar-me um sentimento dualista...não consigo perceber e o mais incrivel é que tu proprio não consigas explicar a pluralidade da frase introdutória do teu blog vs a singularidade dos teus textos...mas seja como for...sejam os teus textos para uma e ou mesmo tempo para tantas...a verdade é que tens as palavras cativas...continua assim...bjs

Anonymous said...

Não imaginas o quanto me identifico com estas palavras...

Ana