Tuesday, December 12, 2006

Desisto...

Desisti de escrever. Desisti de te escrever.
Não sei se já havias reparado;
Não sei se notas;
Não sei se me lês;
Não sei se te interessa o que eu escrevo;
Não sei se te importas com o que sinto;
Não sei onde estás, como estás, como andas;
Não sei quem tu és;
Não sei quem eu fui ao teu lado;
Não sei quem eu sou sem ti.

Desisti de escrever. Desisti de sentir. (confundo as duas e as duas se confundem).
Tudo o que sinto (ou escrevo) e escrevo (ou sinto) e pacientemente lanço ao Mar, perde-se algures na maré, em qualquer esgoto, em qualquer canto onde ninguém (nem tu) passará.
Extraio as minhas palavras (ou dores) do fundo da minha Alma, arranco-as das minhas entranhas – muitas vezes com sangue e pedaços de carne agarrados, mostro-as como aquilo que eu, feliz ou infelizmente, sou. E para quê? Alguém tem a compaixão de me explicar para quê? Qual é a finalidade de todo este sentir?

Se nada dá fruto, se nada ressoa, se nada ouço, só posso aceitar que as minhas palavras são estéreis, que nada produzem, que nada sentem. Ou então que as lanço para terrenos desérticos onde nada crescerá. E eu só queria ver nascer uma flor...

De qualquer uma das maneiras, estou decidido.

Desisto de escrever. Desisto de te escrever. Desisto de sentir. Desisto de te Amar.

4 comments:

musalia said...

desistir é morrer e tu estás bem vivo.
...há sempre uma julieta que espera um romeu...
:)

Irritadinha said...

Podia dizer muita coisa, mas penso que lindo, basta.

Aninhas said...

É terrivel estar apaixonado (a) como sugere o teu poema.
Não sei se quero.
Não vivo sem.
Não há como não querer, como evitar.
E ainda bem!
:)

Veronica said...

Ninguém pode conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber. E quanto a nós, que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa própria solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante, com toda a intensidade.

Do livro "Cartas de Amor de Gibran"